palimpsesto

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Lamúrias

27/11/2009

AS ESFERAS DOS PONTEIROS

Redonda-me esfera das horas
e rola sobre tudo que é esmola:

quando sou todo roubo
de meta e física, desinteressadas;
força, inda que côncava,
e extravasa minha mira,
mas não retraias cômica
à minha própria física.

Redonda-me esfera das horas
e rola sobre tudo que amola:

sempre que afio o destino
em qualquer encruzilhada;
desafia meu passo incerto
onde habitam pegadas
de retidão sem sentido
de voltas sem revolução.

Redonda-me esfera das horas
e rola sobre tudo que apaga:

nos meus dias de aridez de ação
e de cinzas antes da chama;
afoga meu fogo de palha
meu paiol de tinteiro
e com pontas de agulhas
fagulha em mim um discurso inteiro.

Redonda-me esfera das horas
e rola sobre tudo que chora:

das vezes sem mares no peito,
e o mundo inda quero salgar;
atrasa a palavra tempo,
e a transborda com tuas esferas,
onde uma seta desenha pérolas,
onde uma concha já fora grão

...

Espera-me esfera das horas...

20/11/2009

A RETÓRICA DA PRESSA

Há um fato irremediável em nossos dias: há pressa (para tudo). Ainda assim, não temos tempo para sabê-la.

Preferimos não constatar o ziguezague dos motociclistas, costurando por entre o tráfego, uma coreografia para cerzir ponteiros de relógios, antes da próxima entrega. No entanto, desejamos nossos documentos entregues antes do próximo quartel de hora (sem arranhões e que cheguem sãos e salvos).

Optamos por não compreender um corpo descuidado que, subitamente, para pela calçada, para conversar com outro velho corpo, amigo. Todavia, não nos incomodamos em achar ou guardar um lugar na fila do banco, para pagar contas de um amigo de última hora.

“Ora, estou ao telefone. Está com pressa? Passa por cima!”. Diria, e diz, o educado e solitário cavalheiro em seu carro importado. Enquanto um ônibus atulhado de trabalhadores aguarda o próximo sinal verde, que por hora se apaga. O mesmo gentleman que, generosamente, acelera seu possante ao ver que um outro coletivo ameaça tomar-lhe a dianteira, saindo do acostamento. Realizando, desse modo, um legítimo ato solidário, para que seus 54 ocupantes não se envolvam na caótica avenida e aguardem mais alguns minutos até que a via esteja calma e segura. Um cidadão exemplar, que realiza com bravura essa mesma e benevolente ação com os cadeirantes, com senhores e senhoras de idade (e, até mesmo, com criancinhas), que merecem toda a atenção ao tentar atravessar uma faixa de segurança.

Na nossa disputa diária, na nossa corrida de seres humanos, porém, ganha, não aquele que tem mais pressa, mas aquele que tem mais paciência: “O menino está agonizando!”... “Pois não... Por favor, aguarde a chamada da sua senha, senhora; a menos, é lógico, que a senhora tenha convênio. Nesse caso basta entrar pela outra porta. Caso não seja conveniada, não se aflija, a morte não tem pressa, não é!?”

Mas, tenhamos mais do que calma, tenhamos e aprendamos a desenvolver a resignação: “...então, quer dizer que o seu processo ainda não foi julgado. Eu lhe avisei, era mais fácil ter esquecido o caso. Afinal esse tipo de atraso não é o primeiro, nem será o último. Aliás, não há motivo para tantas reclamações, o senhor não acha!? Aqui, o senhor tem cama, comida e roupa lavada... em que outro lugar o senhor teria tantos privilégios. Além do mais, o senhor dispõe de uma hora de sol por dia e uma visita da família por mês, e família, meu amigo, às vezes, só nos dá mais problemas...”

E aqui termino, para não tomar muito de seu valioso tempo. Mesmo porque tenho que entrar no meu twitter, ver meu blog, responder meus e-mails... Puts, esqueci novamente meu filho na escola... até mais. Fui!

19/11/2009

O ÚLTIMO TANGO QUE PERDI

Às vezes, caminhando pelas calçadas estreitas, do tamanho da paciência que as pessoas têm umas com as outras, nessa pressa dos dias, não é raro avistar, numa esquina qualquer, transeuntes, passantes, flauneurs, na direção exatamente oposta dos meus passos.

Nesses parcos momentos o acaso teima, por vezes, em lançar peças de um cadenciado dilema: um outro que vem, em seus pensamentos próprios, em seu labirinto próprio, converge na mesma e particular rota, escolhida por mim, que logo penso: vou-me para lá! Ao que o outro, em sintonia de corpos, já pensa no mesmo instante e determina à sua musculatura: para lá! Ato prévio do imprevisto, desloco-me para acolá, percebendo no rosto, cada vez mais abrupto, certo embaraço.

Porém, nosso ato é falho. Pois, na medida do concerto de um, há o desconcerto do outro; nisso estamos de acordo. E, sem prévias apresentações, figuramos um balé insensato, iniciado entre a disritmia de buzinas, conversas avulsas e olhares alhures.

Ambos envoltos nesse descompasso de um dois-pra-lá, dois-pra-cá, olhamo-nos, encabulados, adivinhando, sem o menor consentimento, o equivocado e alheio passo. Então, estamos próximos de uma intimidade acidental, dessas que apenas espaços públicos são capazes de proporcionar.

Nesse momento, penso que há infindáveis escolhas para seguirmos o baile truncado, eu e meu par, ou encerrarmos com uma troca de pares, nosso baião de doidos. E mesmo se, por uma eventualidade, titubeio no embalo, não há jeito: seguimos o trote, pois meu par já me adivinha, certo do nosso enlace. De nada adianta ignorar-lhe, porque estamos na pista e, mesmo sem desejarmos, toda a via já reconhece nosso bailar encruzilhado. Podemos, talvez, baixar os semblantes, esquecermo-nos por um instante, e ver até aonde a curiosidade nos levará. Quem sabe, ainda, temos o tempo de um disparate, e passarmos de banda, para o outro lado do passeio, num ritmo popular...

Mas há uma última volta e nessa a dança se encerra. Contudo, cabe um aviso: àqueles que não sabem assoviar, mil perdões, mas este xote é só para quem já ouviu e sabe imitar o sabiá. Primeiro, há de se olhar para o seu par e abrir um sorriso, desses que a boca fique menos à mostra que o siso. Depois, há de se aproximar os lábios e assoviar qualquer melodia que apareça e caminhar conforme a cadência da música. Ah!

Falta a nota essencial: manter uma trajetória, escolhida a esmo, e passar com falso desdém pelo acompanhante de última hora.

Da última vez que isso me aconteceu, segui pela calçada e larguei meu par sob o holofote das vitrines, em meio a outros pares. No entanto, fora tanta sintonia, tantos acordes e piruetas mútuas que, ao passar do seu lado, já arrependido prometi: da próxima vez, com uma flor entre os dentes, paro em frente à dançarina e tiro-a para um tango no meio da avenida.

13/07/2009

DIVA DOS MEUS SONHOS

Oh musa britadeira que trouxeste
ruídos decantados da cidade,
empresta-me um som bruto e ligeiro,
tipo turbina dum 347.

Invadas no chão o pavio da cidade,
como um velho explodindo os campos,
mas me acuda dessa chuva celeste
de revolveres, fuzis e morteiros

Britadeira! Levantas minha noite,
antes da luz devorar meus cavalos
e ruminar os bois do meu tempo;
acorda no meu braço o infarto
pra ressentir aquilo que não lembro,
pra não morrer a voz do braço esquerdo!

26/01/2009

Reforma (por Uiliam Ferreira Boff)

Por medidas mórbidas,
procuro morfemas simples,
verbalizações concretas como caneta e papel;
não me asseguro mais das formas que vem do além.

Para tanto, sossego;
dou-me tempo
(ele me doa pensamentos)

mas a regra me doa um só,
para agir um só:
semcontarcomcantosdistintos,gravurasdiversasdepensarmundos...

Perdi meus encantos bilíngues (um grifo vermelho me lembra)
na expressão prosaica da regra
que insiste sobre o que vive na virtualidade;

resolvido: parei!
a vida para (pára?!), ou melhor:
resolveram por mim os juízes mortos
das escrivaninhas e academias neo-nadísticas;

(nem o computador me salva!?...)

cá pra mim,
reformar-me-ia-se-formasse-trema-hifenizante!!!

08/01/2009

Ilha Café Blog do Coletivo Literário Cardamomo.

Trechos de sujeitos:


A NÃO-PALAVRA (por Fabrício Fortes)
A fala que mora
no meio das tuas palavras
não se pode pôr no papel.

...


BOCA MALDITA (por Daniel Retamoso Palma)
A boca mal dita a sombra
do que sabe de si
o corpo

...


TECIDO DO ABANDONO (por Odemir Tex Jr.)
Este é o tecido que cobre
Todos os móveis do abandono

...


SETE SUICIDAS (por Uiliam Ferreira Boff)
que importa saber dos dez lírios que plantei e você não colheu
meu amor será sempre essa rosa medonha e parca
que estoura quando ninguém mais tem mãos, braços e olhos
não me planto mais, não me rego, nunca me importei com o tempo....

...

mais goles: http://ilhacafe.blogspot.com/

07/01/2009

Bilhete - texto de Bruna Mitrano, do blog de lírio lilas

Ei!, sabe o que lembrei agora? D’aquela folha amarela (pisoteada) que vimos bem na faixa de pedestres num sinal em Copacabana. Você podia jurar que eu escreveria algo sobre a folha que, sem nenhuma dúvida, só nós dois vimos. Não escrevi. Você fez questão de demonstrar decepção. Porque não escrevi. Aí eu disse que a gente não escreve sobre o que quer, nem quando, nem onde; uma meia verdade que me pareceu inteira no momento em que eu falava quase sem pensar a respeito. Não escrevi.
Escrevo então p’ra dizer que não, não pretendo escrever sobre a folha amarela, nossa folha amarela, de amendoeira, se não me engano. Por que então? P’ra dizer que ainda a vejo. Que ela ainda está lá, sob sapatos estressadíssimos. Que enquanto eu não atravessar aquela rua novamente e, olhando para baixo, constatar ausência de resíduos de folha amarela entre as gordas linhas brancas, ela não abandonará aquele pedaço de asfalto.
Ainda agora, debaixo de chuva, sei que ela está lá, ouvindo o Cartola que aqui canta. E vai permanecer, mesmo quando não houver nenhum “nós dois” para vê-la ou trabalhadores apressados para não vê-la ou chuva de frente fria ou voz de Cartola, que aqui canta.


acompanhem as pétalas desse de lírio lilás -    http://deliriolilas.blogspot.com/ 

Cativo

uma falha na face: basta – caminho pro coração
facilmente, tudo engasga de espasmo
soletra alfabeto pra virar um nada

a face, meia faca, amola a pressão do sorriso,
decota o mundo sóbrio – praticidade da vida pro acaso
(mais fácil seria a esmola de uma carranca pra sua metade séria)

absorvido – permeio de si – mastigando meios
coração devorador das metades de pontes
vão ... ficam ... tornam ... e somem
face pra face

boca: caminheiro vertido de vozes
faceta de agulha de verbo: descosturada
de razões desse peito...

30/11/2008

Sete Suicidas

O primeiro canto

não serei breve; paciência com o corredor que enxergas...
ah! paredes tolas; nossas cabeças estão degoladas, lá fora.
esse teto é um docel armado por cruzes e tridentes,
e o chão... tudo se dissolve em meio a acidez das passadas...

não há motivos para exasperos, não quero saber do nada mais,
ainda me sobram a cunha das mãos para moldar o que penso,
me sobram os dedos, ainda posso tragá-los e acariciar meus temores
ainda, ainda, ainda há vontades de lembrar do lá fora...

vamos todos, todos degolados, engatinhar no pasto,
enfrentar as pestes psíquicas do próximo vale;
valerá a pena reencontrar o que não sei desse descampado,
encontraremos um espelho deitado refrescando as perdas...

que importa saber dos dez lírios que plantei e você não colheu
meu amor será sempre essa rosa medonha e parca
que estoura quando ninguém mais tem mãos, braços e olhos
não me planto mais, não me rego, nunca me importei com o tempo....

(mentira!

Hoje, as dez da tarde, vou assaltar todas as padarias,
roubar de uma só vez toda a farinha do mundo
e convidar apenas os padeiros para um banquete espetacular,
quebrarei todas as mandíbulas dos dráculas da fila do pão...)

ah! noite perturbada; vou esquecer nosso encontro,
amputarei minhas pernas e doarei todos os meus olhos,
transplantarei para os outros cada ponta de vista que te tenho
e eles verão apenas dias e mais dias e mais dias, eu nunca mais dormirei...

quando olhei para esses telhados, encolhia os vãos desse corpo
e já estarei lá, neles, debruçado: toda a minha preguiça,
me esganiçando com os gatos, uma canção dessas tolas
meditando a queda da sua supremacia egípcia...

A Piedade (Poesia do Roberto Piva)

Eu urrava nos poliedros da Justiça meu momento
abatido na extrema paliçada
os professores falavam da vontade de dominar e da
luta pela vida
as senhoras católicas são piedosas
os comunistas são piedosos
os comerciantes são piedosos
só eu não sou piedoso
se eu fosse piedoso meu sexo seria dócil e só se ergueria
aos sábados à noite
eu seria um bom filho meus colegas me chamariam
cu-de-ferro e me fariam perguntas: por que navio
bóia? por que prego afunda?
eu deixaria proliferar uma úlcera e admiraria as
estátuas de fortes dentaduras
iria a bailes onde eu não poderia levar meus amigos
pederastas ou barbudos
eu me universalizaria no senso comum e eles diriam
que tenho todas as virtudes
eu não sou piedoso
eu nunca poderei ser piedoso
meus olhos retinem e tingem-se de verde
Os arranha-céus de carniça se decompõem nos
pavimentos
os adolescentes nas escolas bufam como cadelas
asfixiadas
arcanjos de enxofre bombardeiam o horizonte através
dos meus sonhos

29/11/2008

Visões del Sur

Bueno!
Me compreendes homem?

Complicado teu causo, meu senhor:
campear verdades, nas ilusões do teu Sur;
cosa séria: senhor-menino-descampado

ouves, Senhor:
teu sul-realismo é um cego admirando a geada, que não há

larga este açude, esses peixes já voam sós, feito cavalos

quando voltares as rendas da tua prenda
escuta o silêncio trazido dos partos da tua eternidade imaginária

e viste aquelas cercas? ... empunha a guitarra e reverbera o vento dos campos,
tropeia com teus filhos para longe da liberdade da varanda

e nos dias daqui, desta cidade-bairrista,
deposita confiança nessa caneca de calçada:
“ajude um pobre cego, cultivador de auroras, meu senhor”

27/09/2008

Vida e Morte Bergamota (por Uiliam Ferreira Boff)

roubar-te um aroma,
quando é antes idéia não transpirada, como?

amaldiçoar tua dádiva,
inda inteiriça se partida;

findar a promessa desta casca:
a vontade semeia, aí, a surpresa
– camadas e camadas de pele fresca –
pedaço de prazer velado
(em tua forma, sim, o primeiro pecado)

e mais que muitas é meia:
irônica agridoce (vale mais que inteira)
decerto descobre
gomos imaturos em línguas alheias;

as bocas tantas, poucas,
não adivinham de teu todo o fragmento;

casca-suco dilacerada,
adianta a herança fétida da tua morte.

24/09/2008

Desembarque (por Uiliam Ferreira Boff)

Vez ou outra desembarco em mim. Da vez última, atônitos os fantasmas dispersaram-se pelos águas, como barcas, e tudo pareceu estar longe, longe de novo. Estendi-me muito, numa viagem antiga de encontrar coisas passadas.

Mas não esbarrei em coisa alguma, nem mesmo naquelas que cuidei indiferente, que dei de beber aos mares e comer nas conchas essas migalhas que o acaso lhes provesse. Criei-as assim, de velas baixadas, aos cuidados da correnteza.

Tantas e de tantas, que as vi flutuantes, amedrontando-me, navegando-me furiosas, em minhas próprias vertigens... talvez fossem monstros imergindo de coisa nenhuma... e, eram apenas coisas boiando.

E o maior milagre foi não vê-las mais - que estratagema engenhoso esse, de ancorar as coisas em portos fantasmas, que nem a memória guarda - e quem não faria tamanho truísmo nesse abismo todo?!

Mas a cada instante, ouvia, cada vez mais perto, assombros vindos das vagas; de quem? E me lançava em inesperadas divagações... quantos fizeram, aqui, sua morada, estacando vidas e foram embora, assim, sem mais”.

Eis que seguia, encontrei, mais adentro, num turbilhão de coisas, quem chegava do mar: era eu, desembarcando...

17/09/2008

T... e... ( ).. p... o



“Eu ando nas ruas com o sol descolado da tua pessoa” (Tom e Chico)

É claro esse passo. Demarca um pedaço próprio (instante ingênuo, instante abatido, por uma reforma urbana apressada, cuja cobrança precede quaisquer regalias de posse)... mas ainda é claro; e o que haveria para encobrir, além da uma réstia de sombra?!

Um após o outro, cedem numa medida aleatória, onde se deposita, aritmética, toda essa parte do corpo que apenas o chão sempre reconhece. E dada a passada, é outra luta para não sentir mais a mesma saudade ( nova aflição de saber que, se uma hora pára, o corpo cessa e o mundo esbarra desgovernado).

Força ante força, somando e diminuindo (todos os antes, todos os depois da carne) o que precisa tencionar sobre o solo e aquilo que o solo rouba incólume - sinergia misteriosa - o corpo age sem distinção de lados, em revoluções. Quando já tormenta, pernas de torvelinho, reinventa-se roda e vai, vai, vai até... até que aliviado de toda física, admira as coisas que seguem, ali, aqui, à sua volta: intactas, distintas do resto que é rua, fuligem, sorriso, vertigem luminosa.

Contudo, ainda crê no átimo quente de luz, que vicia muito mais as coisas da idéia, que a idéia das coisas (ademais, o que não é brilho, são esperas ruminosas consumindo os calçados, sombras enraizadas espreitando no calçamento...).

E observa essas cenas - os aguardos de tudo - como se fossem honrosos presentes para o olhar, adivinhando o que escolherá, afinal, dessa rua...

04/08/2008

Duclós



Odeio tarefas
qualquer uma serve para estragar o dia
faço de conta que não existo
e quando menos esperas
lá estou a sussurar no ouvido
o perfume de um novo estufar de velas

Sou mais que um boa-praça
casei com o novo dia
conceitos atirei pela janela
e embora eles voltem para regular minha vida
confio neste incêndio que queima a goela.

(Nei Duclós - Outubro - 1975)

http://outubro.blogspot.com/

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