palimpsesto

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Lamúrias

17/09/2008

T... e... ( ).. p... o



“Eu ando nas ruas com o sol descolado da tua pessoa” (Tom e Chico)

É claro esse passo. Demarca um pedaço próprio (instante ingênuo, instante abatido, por uma reforma urbana apressada, cuja cobrança precede quaisquer regalias de posse)... mas ainda é claro; e o que haveria para encobrir, além da uma réstia de sombra?!

Um após o outro, cedem numa medida aleatória, onde se deposita, aritmética, toda essa parte do corpo que apenas o chão sempre reconhece. E dada a passada, é outra luta para não sentir mais a mesma saudade ( nova aflição de saber que, se uma hora pára, o corpo cessa e o mundo esbarra desgovernado).

Força ante força, somando e diminuindo (todos os antes, todos os depois da carne) o que precisa tencionar sobre o solo e aquilo que o solo rouba incólume - sinergia misteriosa - o corpo age sem distinção de lados, em revoluções. Quando já tormenta, pernas de torvelinho, reinventa-se roda e vai, vai, vai até... até que aliviado de toda física, admira as coisas que seguem, ali, aqui, à sua volta: intactas, distintas do resto que é rua, fuligem, sorriso, vertigem luminosa.

Contudo, ainda crê no átimo quente de luz, que vicia muito mais as coisas da idéia, que a idéia das coisas (ademais, o que não é brilho, são esperas ruminosas consumindo os calçados, sombras enraizadas espreitando no calçamento...).

E observa essas cenas - os aguardos de tudo - como se fossem honrosos presentes para o olhar, adivinhando o que escolherá, afinal, dessa rua...

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Uiliam Ferreira Boff
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