palimpsesto

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Lamúrias

27/09/2008

Vida e Morte Bergamota (por Uiliam Ferreira Boff)

roubar-te um aroma,
quando é antes idéia não transpirada, como?

amaldiçoar tua dádiva,
inda inteiriça se partida;

findar a promessa desta casca:
a vontade semeia, aí, a surpresa
– camadas e camadas de pele fresca –
pedaço de prazer velado
(em tua forma, sim, o primeiro pecado)

e mais que muitas é meia:
irônica agridoce (vale mais que inteira)
decerto descobre
gomos imaturos em línguas alheias;

as bocas tantas, poucas,
não adivinham de teu todo o fragmento;

casca-suco dilacerada,
adianta a herança fétida da tua morte.

2 papo(s):

Bruna Mitrano disse...

Que belo! Tão bem construído, tão intenso.
Você realmente sabe lançar mão dos sinais gráficos.
Amei o título e tantos trechos que não citarei porque corro o risco de citar o poema inteiro.
Ele faz sentir, isso é essencial.

Priscila Milanez disse...

Tirar tão bela poesia de uma bergamota é coisa pra poucos.Belo texto.
Aliás, moro com uma gaúcha e sempre achava estranho quando ela chamava "mexirica" de bergamota...rs

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