palimpsesto

palimpsesto
Lamúrias

23/06/2008

Pra caminhar seguro (poema vencedor do Fellipe D'Oliveira - 2007)


pra caminhar seguro
cravar nos olhos
a aspereza do solo


pra dissolver
a poeira do dia
matizar nas vistas
a correnteza dos passos


pra desarmar a
gravidade do corpo
numa calçada estreita
inflar com a alquimia das fossas


pra desvendar todo instante
de dentro pra fora
explosões psíquicas
ao meio dos solos


pra não ser
o dono da rua
aceitar esmolas
de uma pedra aguda uma

PEDRA

nos desvios precisos
esbarrar o todo
numa poça vazia
pra hidratar os fogos

na esquina esguia
sofrer a esperança
todos os dias
na espera do forno

22/06/2008

Ex-passos...













... é bom se expalhar nesses campos velhos, que trago na história...

“o homem de hoje sente sua duração como uma ‘angústia’, sua interioridade como uma obsessão ou uma náusea; entregue ao ‘absurdo’ e ao despedaçamento ele procura tranqüilizar-se projetando o pensamento sobre as coisas, construindo planos e figuras que tomam do espaço dos geômetras um pouco do seu peso e de sua estabilidade. Para falar a verdade, esse espaço-refúgio é para ele de uma estabilidade bem relativa e bem provisória, pois a ciência e a filosofia modernas esforçam-se justamente por dispensar as cômodas indicações dessa ‘geometria do bom senso, e por inventar uma topologia desorientada, espaço-tempo, espaço curvo, quarta dimensão, toda uma visão não euclidiana do universo que compõe esse temível espaço-vertigem onde certos artistas ou escritores de hoje construíram seus labirintos.”
(Gérard Genette. Figuras,1972.)

18/06/2008

Comida do avesso


entra o cardápio – ossatura crua
se arquitetura mole, prato primeiro
(para iniciar estalar dedos)
segue o cerne, abre-se por dentro;

- o gosto não vem do lamber -
deglutir as sobras robustas, recozer nas mãos;

ruminar as migalhas quando espinha
o doce d’ócio perder na língua
franzir fisicamente o fóssil,

decompor a fraca fome, se não findar
da branca poeira permitir arrotar
aspirar se lhe aprouver
(mesmo a novidade se repete em aroma)
vê-se o esqueleto preto ao prato

Obs: servir-se só!

17/06/2008

Poesia engajada:

o poeta doou suas canetas usadas

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