palimpsesto

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Lamúrias

26/01/2009

Reforma (por Uiliam Ferreira Boff)

Por medidas mórbidas,
procuro morfemas simples,
verbalizações concretas como caneta e papel;
não me asseguro mais das formas que vem do além.

Para tanto, sossego;
dou-me tempo
(ele me doa pensamentos)

mas a regra me doa um só,
para agir um só:
semcontarcomcantosdistintos,gravurasdiversasdepensarmundos...

Perdi meus encantos bilíngues (um grifo vermelho me lembra)
na expressão prosaica da regra
que insiste sobre o que vive na virtualidade;

resolvido: parei!
a vida para (pára?!), ou melhor:
resolveram por mim os juízes mortos
das escrivaninhas e academias neo-nadísticas;

(nem o computador me salva!?...)

cá pra mim,
reformar-me-ia-se-formasse-trema-hifenizante!!!

08/01/2009

Ilha Café Blog do Coletivo Literário Cardamomo.

Trechos de sujeitos:


A NÃO-PALAVRA (por Fabrício Fortes)
A fala que mora
no meio das tuas palavras
não se pode pôr no papel.

...


BOCA MALDITA (por Daniel Retamoso Palma)
A boca mal dita a sombra
do que sabe de si
o corpo

...


TECIDO DO ABANDONO (por Odemir Tex Jr.)
Este é o tecido que cobre
Todos os móveis do abandono

...


SETE SUICIDAS (por Uiliam Ferreira Boff)
que importa saber dos dez lírios que plantei e você não colheu
meu amor será sempre essa rosa medonha e parca
que estoura quando ninguém mais tem mãos, braços e olhos
não me planto mais, não me rego, nunca me importei com o tempo....

...

mais goles: http://ilhacafe.blogspot.com/

07/01/2009

Bilhete - texto de Bruna Mitrano, do blog de lírio lilas

Ei!, sabe o que lembrei agora? D’aquela folha amarela (pisoteada) que vimos bem na faixa de pedestres num sinal em Copacabana. Você podia jurar que eu escreveria algo sobre a folha que, sem nenhuma dúvida, só nós dois vimos. Não escrevi. Você fez questão de demonstrar decepção. Porque não escrevi. Aí eu disse que a gente não escreve sobre o que quer, nem quando, nem onde; uma meia verdade que me pareceu inteira no momento em que eu falava quase sem pensar a respeito. Não escrevi.
Escrevo então p’ra dizer que não, não pretendo escrever sobre a folha amarela, nossa folha amarela, de amendoeira, se não me engano. Por que então? P’ra dizer que ainda a vejo. Que ela ainda está lá, sob sapatos estressadíssimos. Que enquanto eu não atravessar aquela rua novamente e, olhando para baixo, constatar ausência de resíduos de folha amarela entre as gordas linhas brancas, ela não abandonará aquele pedaço de asfalto.
Ainda agora, debaixo de chuva, sei que ela está lá, ouvindo o Cartola que aqui canta. E vai permanecer, mesmo quando não houver nenhum “nós dois” para vê-la ou trabalhadores apressados para não vê-la ou chuva de frente fria ou voz de Cartola, que aqui canta.


acompanhem as pétalas desse de lírio lilás -    http://deliriolilas.blogspot.com/ 

Cativo

uma falha na face: basta – caminho pro coração
facilmente, tudo engasga de espasmo
soletra alfabeto pra virar um nada

a face, meia faca, amola a pressão do sorriso,
decota o mundo sóbrio – praticidade da vida pro acaso
(mais fácil seria a esmola de uma carranca pra sua metade séria)

absorvido – permeio de si – mastigando meios
coração devorador das metades de pontes
vão ... ficam ... tornam ... e somem
face pra face

boca: caminheiro vertido de vozes
faceta de agulha de verbo: descosturada
de razões desse peito...

Quem sou eu

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Uiliam Ferreira Boff
Santa Maria
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