
Ele sabe como fazê-lo: o ato. Não é mera lembrança uma (in)certa voz paterna ou materna lhe indicando os passos de como faze-lo: o ato.
É conhecimento adquirido por repetições, repetições, repetições...
O ato em si vacila entre ser positivo ou negativo, enquanto a memória se equilibra sobre o corpo. Em cada músculo o estiramento da força e uma dor que a gente não sente, mas sabe que tem, e cada articulação às voltas com o movimento próprio de idas e vindas por um caminho que já se faz às cegas: são pequenas coreografias internas por detrás do pano da pele.
Os membros necessários para a execução do ato autômato na vontade inequívoca de conter entre as mãos o objeto, já sabedor de seu peso, tamanho, consistência: são cenas absurdas, para olhos insistentes em rever um espetáculo dèjá-vu.
A clareza do gesto e a observação frenética das íris, das pupilas e dos cristalinos, na ingenuidade de querer acompanhar o substantivado ato em ação. A curiosidade das narinas amanhecendo para a coisa dissipada: sem cheiro algum.
Ele sabe como fazê-lo: o ato surdo que trinca com a força desmesurada, os cacos da substância temporal, que estala na coragem de subverter a ordem apreendida:
- Filho, não te falei para molhar a forminha antes de tirar o gelo!?
4 papo(s):
Acho que esse guri fumou maconha (o guri da forminha, bem entendido).
eu queria escrever bem como tu.
beijo.
saudade hein.
As dores que não se sentem e mas se tem são sempre as mais traiçoeiras.
Achei um cometário seu antigo no meu blog.Então, resolvi passar por aqui pra conferir se ainda resistia na escrita.
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