19/02/2010

PRA TE LEMBRAR



Palavras e mais palavras,
tanta gramática e retórica sobre o nosso amor...

Quiçá entendêssemos
o silêncio entre os lábios
que nossa voz faminta
premeditava em mordidas

Pudera...
nosso sentido tolo,
não buscou o zelo do erro,
apenas calou o que reverberou
do juízo que nos escutava.

Nossa semântica, tão pura,
perdeu-se em complexa sintaxe,
deflagrada pela nossa análise dos sentimentos.

Foi preciso uma revolução dos costumes,
improvisações na pragmática amorosa
e, então, recomeçamos...

Num pronome jogado ou esquecido a esmo
nos amamos nas elisões do acaso.

Na preposição das almas,
na conjunção das palmas das mãos,
somamos a primeira pessoa
em qualquer uma das conjugações.

Na mesura dos objetivos, nossas vistas,
por vezes ambíguas,
encontraram a coesão das vontades.

E mesmo nos tempos insolúveis
nos amamos
no mais-que-mais-que-perfeito dos corpos,
sem espaço para as imperfeições dos olhares;

mais que tudo,
foi preciso uma falha nas falas
para reencontrarmos nos abraços,
tantos laços sem explicação:

e qualquer frase mal-feita
reata a idéia dos companheiros
que fomos e seremos

E o coração batendo
como um verbo pequenino,
ressoa bem quietinho
entre as vozes das nossas emoções!

Talvez uma alquimia vocabular
expanda a expressão prosaica
de um simples período de te amar:
Sempre amei-amo-amarei!

4 papo(s):

dansesurlamerde disse...

lindo.

D. disse...

Hmmmm...

Isadora M. disse...

nhooooooooooooom....

continuando assim... disse...

Convite
O livro "Continuando assim...", foi maltratado...

Resolvi por isso, e porque tanta gente não encontra o livro onde deveria estar (nas livrarias), recontar a história
Lá no …. Continuando assim…
www.continuandoassim.blogspot.com

Vamos em metade da história, o livro reescrito não está igual (nem poderia!) ao que foi editado.
Obrigada a todos os que vão seguindo (pois só assim vale a pena).
Um obrigada especial a quem ainda não conhece e chega de novo

Uma reflexão em relação a todo este assunto entre livros, autores e editoras, e um conselho, se me é permitido:

--- quando vos pedirem dinheiro para editar as vossas palavras, simplesmente digam que não ---
BJ
Teresa

Lamúrias:

Lamúrias:
Eu represento todas as pantomimas que apreendi vivendo. A vida me mimetiza como ela quer, mas aí tanto me valhe ser objeto ou construtor de sentido (representa-dor). Sou a palavra que tu leres. E isso já é muito para mim.