Quero gritar um silêncio,
mas tudo que escrevo
é um tic-tac infinito
que poderia ser trocado
por um minuto vivo
e , assim,
ver morrer a dor do tempo
você e eu
tu e teu
tic e tac
vamos deixar os corpos
os corpos de cada número
e ver toda vida se dar
na finitude alheia,
regressiva dos suspiros,
que, ainda, há tempo perdido
4 papo(s):
o tic tac também cansa, e a gente acaba sentindo saudade desse barulho irritante, mas reconfortante.
beijo.
O PARTO DA GRANDE BABEL
Ao chegar sua hora, ela retirou-se para o mais íntimo de seus aposentos e cercou-se de médicos e adivinhos.
Havia sussurros. Na casa entraram homens importantes com rostos sérios e saíram com rostos preocupados, empalidecidos. E o preço da maquiagem branca dobrou nas lojas de beleza.
Na rua juntava-se o povo e permanecia da manhã à noite, de estômago vazio.
A primeira coisa que se ouviu soou como um forte peido nos caibros do telhado, seguida de um forte grito de “PAZ!”, depois do que o fedor aumentou.
Imediatamente após, sangue jorrou num jato fino e débil.
E agora vinham outros sons em sucessão interminável, cada um mais terrível que o outro.
A Grande Babel vomitou e aquilo soou como LIBERDADE!, e tossiu e aquilo soou como JUSTIÇA!, e peidou novamente e aquilo soou como BEM-ESTAR! E levaram à sacada envolta num lençol em sangue uma criança aos berros e a mostraram ao povo sob o som dos sinos, e ela era a GUERRA.
E tinha mil pais.
(Bertolt Brecht)
o que conforta o desconforto do tic-tac, é saber que o tempo passa...
viver no escrito às vezes é mais seguro, por vezes mais bonito...mas sem dúvida, um outro viver...nem bom, nem ruim...só mais um viver.
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