16/05/2011

OUTONAR

Meu tempo:
antisala de calafrios;

arredia festa do sol sobre espaços,
passos querendo falar pela boca seca da folhas,
folhas brincando e o chão querendo voar;

eu não vôo, e já quis a certeza das pedras
inteiras, estáticas, querendo... querendo...

e de querer tanto
me fiz migalha poeirenta
que o vão das calçadas mostrou:

- Aqueles restos são espelhos
e águas furtivas levaram de ti.

...

É desse tempo,
de coisas caídas ganhando asas
e de olhos pendidos perdendo alturas,
que o vento sussurra
para secar todas as mãos...

2 papo(s):

Samara L. disse...

E o outono pode trazer beleza nos ventos mais inesperados e insuspeitos, não?

Anônimo disse...

ESSE SILÊNCIO ENSURDECEDOR...

Lamúrias:

Lamúrias:
Eu represento todas as pantomimas que apreendi vivendo. A vida me mimetiza como ela quer, mas aí tanto me valhe ser objeto ou construtor de sentido (representa-dor). Sou a palavra que tu leres. E isso já é muito para mim.